Entrevista com Ramón Colillas, campeão do PSPC e engenheiro de um sonho

Em algum lugar da Espanha, a família Colillas estava tentando absorver uma mensagem de seu filho. Ele estava a um oceano de distância, e se a mensagem de texto fosse verdadeira, ele agora era um milionário.

Ramón Colillas quase não pode aguentar o turbilhão ao seu redor. As câmeras estavam em todos os lugares. Seu telefone não parava de tocar. Todos queriam falar com ele. Uma semana antes, ele era um humilde jogador de poker disputando valores baixos. Agora ele era um campeão, conquistando 5 milhões de dólares e nem havia ligado para seus pais.

"Eu mandei uma mensagem no Whatsapp", disse Colillas.

pca-pspc-2019-ramon-colillas-monti-6130.jpgRamón Colillas

Com 30 anos de idade, Colillas estava vagando pelo gigantesco Atlantis Resort vestindo shorts e uma camisa verde. Ele tinha uma mochila nas costas e um olhar reservado. Não faz muitos anos desde que ele começou a assistir na TV os grandes jogadores de poker disputando fortunas nas Bahamas.

"Eu assistia as transmissões a noite e pensava 'quero jogar lá e ter sucesso'", ele disse.

Agora, ele teve sucesso. Ele ganhou o que o PokerStars chamou de Platinum Pass, um cartão brilhante e prateado que deu para ele um vôo gratuito para as Bahamas, um quarto de hotel no Atlantis e uma entrada no valor de US$ 25.000 para o PokerStars Players Championship. E depois disso, cabia a ele o que fazer com a oportunidade.

Em um field de mais de 1.000 jogadores (alguns ganhadores de Platinum Pass, alguns dos profissionais dos High Rollers), Colillas sobreviveu e triunfou. Ele enfrentou jogadores talentosos e descobriu que era tão capaz quanto eles.

"Eu costumava jogar freerolls e de vez em quando ganhava alguns centavos. Sempre fiquei pensando sobre como aqueles torneios eram conquistados pelos mesmos jogadores, e me perguntava como isso era possível", disse ele.

Se ele soubesse como aonde iria chegar...

RECRIANDO O FUTURO

Se você perguntasse a ele anos atrás, Colillas diria que seu destino era um futuro na Engenharia. Seu cérebro era perfeito para isso. O problema era o seu coração. Dentro dele, havia um competidor.

"Meu primo me disse uma vez: 'você tem que fazer o que gosta'", disse Colillas.

E o que Colillas gosta? Ele gosta de esportes. Ele gosta de competição. Ele era um jogador de futebol razoável. Estudou Educação Física na Universidade de Vic, em Barcelona, e disputou alguns campeonatos em times nas divisões de base. Ele até pensou em ganhar dinheiro com isso. E pensou até que rompeu os ligamentos do joelho. E para muitos, isso seria o fim de uma carreira.

Ao invés disso, ele deixou que os médicos recriassem seu futuro. Ele fez tratamento e até voltou aos gramados, jogando por outra equipe nas categorias menores. E ele jogou pelo Manresa, no coração da Catalunha. Ele estava de volta. Seu futuro estava a sua frente.

Mas não futuro que ele havia planejado...

Ele estourou o outro joelho.

Voltou aos tratamentos. E conseguiu voltar mais uma vez.

E estourou o joelho novamente.

E teve que aceitar que algumas batalhas não podemos ganhar.

PERSONAL TRAINING

Colillas se tornou um personal trainer. Uma profissão que ele não odeia, mas com certeza não ama. Em sua mente, ele estava destinado para coisas maiores. E nunca esqueceu o que um homem lhe disse em um bar certa vez.

Em seus dias como jogador de futebol, ele e seus colegas de time costumam sair para tomar umas cervejas e jogar cartas após os jogos. Uma noite, um homem chegou na mesa deles e disse "Vocês deviam jogar poker".

Desde então, Colillas vem fazendo isso. Ele sabia o suficiente para vencer alguns freerolls. Disputou um torneio noturno de € 100 e se sagrou campeão. Começou a jogar mais e mais, e eventualmente chegou ao ponto de se tornar um vencedor, e de não gostar de seu empregoo suficiente para permancer na cidade.

Colillas voltou para seu vilarejo, um lugar chamado Puig-reig, uma cidade de 1.000 anos e 4.000 habitantes. Ele abriu uma academia. E havia dúvida se uma população tão pequena poderia sustentar sua empreitada. Mas a academia teve sucesso, ele mal tinha tempo para dormir. E quando dormia, ele sonhava com uma daquelas noites de poker nas Bahamas.

"Se tivesse uma hora livre, estudava e jogava", disse ele.

Ele aprendeu rápido, ganhando um bom dinheiro e satélites para jogar torneios maiores. Sempre pensando na ideia de abandonar a academia para jogar poker. Mas seus cliente contavam com ele, seus pais tinham dado todo o apoio.

E no fundo de sua mente, ele ouviu a voz de seu primo: "Você tem que fazer aquilo que gosta".

E ele fez. E como em sua carreira no futebol, no começo parecia que nada daria errado. E como em sua carreira no futebol, tudo deu errrado. Seu bankroll sofreu uma perda tremenda. Sua carreira estava decadente. Ele baixou o valor dos buy-ins, esperando pela recuperação. Passou meses e meses sem um resultado.

E foi aí que apareceu o Homem Misterioso.

PERSONAL RE-TRAINING

Ele descreve seu salvador como seu "pai no poker".

Colillas é um homem reservado e por razões de privacidade, decidiu manter o nome em segredo. Não importa quem seja, mas o encontro com ele foi um ponto de virada na carreira do futuro campeão.

"Eu sempre fui auto-didata. Nunca compatrtilhei experiências com outros jogadores, mas ele foi meu pai no poker, ele me ajudou".

Resultado: Colillas recuperou tudo que havia perdido em um ano, e daí 2017 virou 2018, e ele estava em alta. Ele venceu a primeira etapa do Campeonato de Espanha (CEP). Quando o torneio estava entrando noite adentro, ele acabou fazendo um acordo.

"Eu estav jogando por várias horas, estava muito cansado", disse ele.

O problema é que o acordo incluia a divisão de pontos no Ranking CEP. E um Platinum Pass e a viagem para Bahamas estavam reservados para o ganhador desse ranking.

"O aniversário da minha namorada estava chegando e ela me disse que esse ano não queria nenhum presente. Só queria ir para as Bahamas", ele disse.

Então, ao invés de descansar, ele jogou o resto das etapas do CEP. E conquistou o Platinum Pass.

EPIFANIA

Normalmente, Colillas passa o dia 6 de janeiro com a família. Desde que ele nasceu. É o Dia dos Reis na Espanha. Uma festa cristã que comemora a visita dos três reis magos ao menino Jesus. E isso pode ter sido uma epifania. Colillas sabia disso porque se sentiu criança novamente.

"Foi a primeira vez que passei essa data longe da família". disse Colillas.

Foi também o dia em que ele sentou para disputar o PSPC nas Bahamas. O maior torneio de sua vida. A maior chance que ele já teve.

"Quando cheguei, lembrei dessa memórias e emoções de quando era criança", ele disse.

Colillas tinha um objetivo. Se alcançasse, ele teria esperança. O espanhol queria ficar entre os premiados. Isso lhe daria um pouco mais que US$ 25.000, um prêmio muito bom. E isso ele conseguiu com certa tranquilidade.

"Quando cheguei no dinheiro, era hora de sonhar", ele disse.

dream-engineer-ramon-colillas.jpgColillas vivendo seu sonho

O resto é história, algo que os jogadores de poker apenas sonham em conquistar e virou realidade para Colillas. Ele terminou o PSPC com um beijo de sua namorada, um dos troféus mais lindos do poker e US$ 5.1 milhões.

neil6118-heads-up-pca2019-neil-stoddart.jpgColillas jogando o heads-up contra Julien Martini na disputa pelo troféu do PSPC

Já faz alguns anos que ele quebrou seu bankroll, muitos mais desde que abandonou o futebol profissional, e uma década desde que seu primo deu para ele o conselho que o levaria até o campeonato no Paraíso.

Ramón Colillas fez o que ele quis.


Jorge Iglesias, do PokerStars Blog Espanha, conduziu a entrevista com Colillas e colaborou com esse texto, escrito originalmente por Brad Willis.

Kelvin Kerber foi o "Jogador da Etapa" no BSOP São Paulo, e se tornou o primeiro brasileiro garantido no PokerStars Players Championship:

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